Category: Alternative

Vermes Do Vaticano. - Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl) download full album zip cd mp3 vinyl flac


Download Vermes Do Vaticano. - Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl)
2015

O Amor sendo um guerreiro; pacifica Maltrata em finas luvas de pelica, Gentil, arromba a casa, estoura a porta Quisera a claridade em raro sol, Um helianto busca o seu farol Nos olhos de quem ama e sabe bem Cuidar com maestria deste sonho Que em versos e sonetos eu componho E sei que me avassala quando vem Vencido pelos medos e temores, Aonde imaginara belas cores, Apenas grises tardes, nada mais.

O Sol dourando agora toda a Terra Reflete a luz intensa em que se via O encanto da divina poesia, Que olhar de quem desejo em paz descerra. E sentindo-me em paz, extasiado, Revejo os desenganos do passado E agora me permito um sonhador. Deveras merecia ser feliz. Outrora um sonhador.

Termina o embate. Meiguice mentirosa? Que se dane. No amor que tanto quis, eterna pane, O verso traduzindo o sentimento. Metamorfoses; tento vez em quando, O teto desta casa desabando, Matando o que restou de velho em mim. E para completar sua bravata Somente com o terno e a gravata, Roupas que Jesus Cristo nunca usou Depois desta nefasta mortandade, Sem ter quem a destrua nem degrade Natura se entregando sem temores. As criaturas sacras e benditas Eternas lamparinas e infinitas Percebem que o holocausto se anuncia.

No quanto quis e nada se fez gente, Tampouco a boca amarga ainda acena Se a lua em despedida se fez plena A morte encontrarei em seu poente. Ausentes deste olhar, os dissabores, Espalhas nos canteiros, belas flores Fulgores deste sol enamorado. E em ti depois de tanto, eu pude ver Que a vida guarda em si farto prazer, Prossigo o meu caminho do teu lado Neblina amortalhada que nos segue, Saudade tendo quem sempre a carregue Eternizando o inverno amargo e frio Acordo e mal percebo o odor intenso, E, tosco, num futuro ainda penso E as sombras me revelam o que fomos, Da fruta proibida, simples gomos Das doces violetas e verbenas A morte se moldando enquanto acenas Matando sem pensar o meu jardim E a morte num momento revelada Trazendo simplesmente o eterno nada As trevas dominando o que restara Da vida que pensara calma e clara.

E quanto mais procuro algum caminho Somente vislumbrando fogo e espinho, Vontade de fugir ou de morrer Aonde se mostrara uma carranca Os olhos; coniventes, arremetes E teimas com escuros e competes Enquanto a vida atroz devora e espanca. Os erros do passado se eu assumo Procuro pelo menos mais um trago Da vida que se perde em cada bago, E a cada novo dia me consumo. Embora a realidade me desgrace, Jamais dela seria assim, ausente, E o quanto do vazio uma alma sente Permite o mais sombrio desenlace.

No verso mais feliz, o predileto, Ainda poderia ter louvor, Agora me entranhando este rancor No qual sem preconceitos me completo.

Somente sou o tosco em fantasia Que aos teus olhos amor, apodrecia Em decompostas formas e atitudes. E a morte se aproxima velozmente O frio que eternal a alma pressente Deveras o que sempre tu querias O beijo que me deste, sempre mente E o peso do passado de permeio Moldando este caminho que receio, No barco que naufrague novamente. E tendo a poesia como amiga, Por mais que no vazio inda prossiga A sorte noutros cantos desembarca Houvesse pelo menos um instante Aonde se pudesse triunfante Adentrando a real felicidade.

O amor velho parceiro, antigo tema A vida de quem sonha sempre rege. O rio se espalhando pelas margens Lambendo com vigor as paisagens Enfrenta vez em quando a correnteza Isso, jamais! Esqueceste de tudo, mas talvez Ainda me restando a lucidez Eu possa refazer a caminhada. Partindo do concreto, concretizo O tremular que emulas entre as velas, E sendo o que talvez inda revelas Ao fundo a tempestade diz granizo. O que pensara ser variedade Traduz um sentimento vagabundo E; quantas vezes teimo em novo mundo Propondo o que talvez nem tanto agrade.

Os medos se transformam; infinitos. Pudesse crer: somente uma miragem Que o vendaval tomando logo espalha, Qual fora um fogo simples sobre a palha, Por mais que os dissabores sempre ultrajem. A boca vocifera em louca praga Preparo a caminhada para a morte, Sem ter jamais o sonho que conforte Distante dos meus olhos, bela plaga. Nunca mais. Assim a nossa vida em fogo intenso, Nas labaredas fartas, recompenso A dor de ser apenas um poeta Sou feliz E vejo neste espelho em rugas feito O amor cujo final; em paz aceito Comendo cada resto que sobrou Quem me dera, A sorte se desfaz, fria quimera, Enquanto a fantasia me incendeia A morte se aproxima e se revela Destino para quem minha alma apela Despetalada flor percebe esta hora Pois, enterre-os Assim o tempo passa e modifica Uma alma que pensara nobre e rica Desfeita nas veredas, feita em pus.

Aonde se encontrasse a paz. Segui-los; Os vastos desencontros desta sorte? E embora me perceba mais ausente, O quanto de mim mesmo inda se sente Revivo em belos sonhos, melodias. E quando a voz silente se fizer O rumo; preconizo onde puder Saber destas entranhas, ledos veios Ainda destes sonhos, timoneiro, No amor ao qual me dou e vou inteiro E preso aos teus desejos e vontades, Aprendo a descobrir quando me invades Trazendo o que melhor existe em ti Eviscerado sonho aonde te perdi?

Amena madrugada? Ledos Descaminhos tendo e deles me alucina A sorte em vagos tons enquanto em podre sina Escondo o que podia imaginar segredos. Um bom cordeiro Calabares pescara, escara funda Os velhos escafandros, antros entram. E quando neste antanho se concentram Abaixa-se demais, mostrando bunda. O palco se ilumina a mina esgota Abrindo das represas a compota Inundo do que outrora quis feliz O quanto desfiara dos teus dias, Bem sei que tantas vezes desafias Os tempos mais felizes e serenos Apaziguada fera que carrego, O amor mesmo sincero segue cego Oprime-me o primor do quase ser Encontro o tanto ainda me gradua Mineiramente bebo a luz da lua E sei reconhecer o seu poder.

No palco aonde quis iluminado O tempo se mostrara ultrapassado. Escrevo num soneto o quanto desejara Amor em noite imensa, intensa, bela e clara, Apenas por saber da vida que se faz Enquanto ainda sonho, o mundo se revolta A sombra do passado, aonde encontro escolta Permite que se pense ausente e louca paz Eclode a nebulosa e forma nova estrela, Aportam-se sutis; as luzes.

Seguir em manso passo em pleno temporal? Estrela vida ou morte; eu teimo, mas aonde? E nisto se moldando um mundo mais complexo. Entes originais. O que dizer? O tempo se faz canto e barco trama a vela, O parto que se deu jamais fora vazio E quando o temporal, eu bebo e desafio A morte sobre a mesa, emoldurada tela Acendo o meu cigarro em fumo vou morrendo Talento; eu nunca tive. A opressao existe, mas onde esta o rei? As paredes carcomidas, os pedacos de mundos decadentes e cheios de historias licenciosas e extremas.

O caminho do excesso. Como se saidos de fotos de Miguel Rio Branco 2personagens mergulhados no noir de suas paisagens. Em alguns momentos, as esquinas semi-iluminadas me trazem o Spirit de Will Eisner e suas obscuridades e silhuetas extraordinarias. E preciso dizer que a fotografia de Walter Carvalho e um dos protagonistas dessa historia. A construcao da atmosfera e perfeita. O diretor Karim Ai'nouz acerta no coracao da serpente quando constroi sua 'antropologia da face gloriosa' - tal qual o fotografo Arthur Omar - com urn extase.

Com a arrebatadora performance de Madame Sata. Urn rito bacante. Ogum, lansa e Dionfsio reunidos num mesmo corpo pleno de potencia. A interpretacao leva a forca do teatro para o cinema. Vemos o bicho Jamaci - fera da floresta da tijuca que se mistura com o Tubarao Monstro da china - explodir diante de urn espelho e nos mostrar o caminho para a resistencia possfvel: apropriar-se do inimigo, digeri-lo e regurgita-lo como urn outro ser.

Ser livre e subversivo, avesso aos limiares da sociedade do controle. Ser pleno de devires e absoluto no que tern de mais monstruoso, belo e original: sua identidade. Laurita Marcelia Cartaxoo bebe e Tabu Flavio Bauraqui completam essa familia insolita, marcada pela cumplicidade dos que so tern a si como minima posse.

Laurita, a anti-maria. Neo Maria Madalena que sabe ser mae e sabe ser puta. Tabu e o tabu: a imagem arquetipica de urn homem 'afeminado'. A semelhanca fisica entre os atores Lazaro e Flavio so realca a diferenca dos personagens. Caracterizar por contraste, diziam os mestres da arte de contar historias. Madame Sata e tao mais forte e pulsante quanto mais fragil e Tabu.

A 'homossexualidade mascula' de Madame Sata so e compreendida em toda a sua amplitude quando confrontada com a 'homossexualidade afeminada' de Tabu. A certa altura o protagonista afirma: 'eu sou viado por que quero. Nao deixo de ser homem por isso'. Paradoxo para as multiplas identidades dos nossos tempos? Curiosamente, as duas cenas de sexo entre homens acabam gerando mais comentarios que as muitas outras coisas que, nitidamente, tornam esse filme o mais contemporaneo dos filmes brasileiros.

Impossfvel ser indiferente a fotografia fabulosa, com a camera a uma distancia minima dos personagens, expulsando o espectador de sua situacao de expectante aquele que espera e empurrando-o para o miolo do furacao, misturando espectador e personagens.

A incrivel incorporacao do desfoque, elemento sofisticado de linguagem da fotografia contemporanea - lembre dos trechos mais inspirados do documentario "Janela da Alma" 3 - e da cor fabulosa, completamente irreal do ponto de vista historico, mas totalmente verossimil diante do vulcao das acoes em cascata. E sempre bom lembrar que a fotografia 'libertou' a pintura de seu compromisso com o real, detonando as vanguardas historicas futurismo, cubismo, surrealismo Pois bem, a fotografia contemporanea agora tambem segue essa vereda imediata e assume o desfoque e a falta de compromisso com a captura descritiva do real.

Mais do que nunca, fotografia e pintura estao embrincadas. E e essa a opcao de imagem que se ve em Madame Sata. Todos nos assistimos ao filme compartilhando do mesmo entorpecimento imagetico.

Urn cinema de poesia, como os melhores momentos subversivos de Pasolini. Mesmo sem saber do que ou de quern tinha raiva, sobreviveu. E alcanca essa santidade sacrflega que rege os espiritos de forca. Sera essa logica proto-carnavalesca a suprema manifestacao de resistencia e contestacao do nosso Dionisio libertador, que ha que veneer a obsoleta logica do Apolo capitalista?

E preciso manter o caos dentro de si para dar luz a uma estrela dangante. Goethe Sua construcao de tipos e impecavel e vigorosa. Como se retirados de Passagem das Horas, de Fernando Pessoa poema-grito de velocidade e insaciabilidadeos personagens seguem a risca o que se espera deles: pulsoes de vida e pulsoes de morte, engalfinhados nos escombros cotidianos.

A economia no texto traz a dose certa de veneno e salvacao. Como a vida, segue em saltos abruptos e inesperados, que fazem girar a roda da fortuna que pode levar alguem a abracar o infortunio no seu dia de maior alegria. Marca nosso descontinuismo contemporaneo, sem apelar para efeitos mirabolantes.

Tudo e belo e cru. Sofisticado e rude. Poetico e patetico. Foto de Miguel Rio Branco Madame Sata, como Medeia dos nossos dias, vence, com seu caminho torto e pleno de furia, os obstaculos e conhece, enfim, a gloria que Notas: 1. Eurfpedes a. Cdramaturgo grego. Seus dramas transformam os herois da mitologia grega em pessoas comuns, sujeitas a comportamentos discutiveis do ponto de vista etico, moral e psicologico.

A peca Medeia foi escrita em a. Miguel Rio Branco 55 anosbrasileiro, filho de diplomata, fazia pinturas e desenhos antes de se dedicar exclusivamente a fotografia. Fez uma exposicao chamada: "Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem, cobrarei no inferno" sobre a comunidade do Maciel - conjunto arquitetonico do Pelourinho - Salvador, onde convivem prostitutas, biscateiros, operarios, vendedores ambulantes e marginais.

Documentario de Joao Jardim e Walter Carvalhoque trata da deficiencia visual sob diversos e imprevisiveis angulos. Visite do filme: www. Trata-se aqui mais de uma tentativa de acercar-se de uma possibilidade de representacao nao- estereotipada do que construir um discurso que estabeleca, de forma equivocada, uma situacao limitrofe para a compreensao dessa insurreicao. Caminharemos, pois em uma rede rizomatica, como a compreende Deleuze, e poderemos nos permitir navegar em diferentes direcoes, impulsionados pelos devires que se sucederao as questoes propostas.

Para se ser subversivo e preciso que haja ainda um poder ao qual se ira se opor. Assim, uma representacao visual subversiva deve, necessariamente ser uma forca de afirmacao de uma ideia tanto quanto de oposicao a uma outra ideia. A delimitacao desse opositor e nossa questao inicial. Por outro lado, o carater mesmo da subversao ja pressupoe uma ordem vigente como sendo essa forca opositora, uma estrutura de poder oficial, um mainstream, que em varios momentos da passado historico foi representada pelo poder constituido pelo Estado, Igreja ou pela co- relacao de ambas essas forcas.

Seria o que poderiamos ilustrar como logica do feudo. Uma relacao que se dava em um territorio determinado, com papeis claros para todos os personagens.

No entanto, com os processos de desterritorializacao e reterritorializacao da ideia de Individuo e da ideia de Coletivo, em muito corroborada pela constituicao de um nao-lugar conhecido como cyberespaco, e com a insercao de uma transitoriedade e multiplicidade dessas mesmas institutes de poder, a silhueta de nosso arquiinimigo se torna coberta por uma bruma que nos afasta de seu reconhecimento.

Em meio a desmaterializacao das forcas opressoras na contemporaneidade, a Sociedade do Espetaculo, entendida aqui como sendo o primado que estende suas ideias fetichistas e mistificadoras dos signos de consumo e da banalizacao de processos complexos, se apresenta como a candidata valida para esse cargo, visto se tratar de uma planejada seqiiencia de enlaces midiaticos, levada a cabo por inumeros personagens, que visa a insercao do individuo no contexto de uma realidade espetacularizada e alienante.

O feudo, desta feita e todo o planeta. Os vassalos sao os telespectadores, mantidos na situacao de expectantes de uma vida construida com doses macicas de formatos aceitaveis de convivencia social.

Aceitando como valido que a Sociedade do Espetaculo seja uma forca opositora para as Imagens Subversivas, somos levados a uma nova questao: Em que ponto a subversao promovida pelos conteudos imageticos deveria concentrar entao seu poder de fogo? A construcao da imagem significativa e pertinente passa pela descoberta de uma semiotica que nos sirva de arcabouco para a construcao de uma mitologia que agregue os desejos e estruturas de compreensao das questoes macro de nossa contemporaneidade.

Diante das possibilidades, e necessario estabelecer um caminho que torne possfvel a discussao dessa questao com alguma eficiencia no tempo, ainda que correndo o indesejavel risco de permanecer na superffcie e nao produzir uma ideia totalmente constitufda desse proposito.

Acredito que podemos estabelecer, entao, alguns alvos para a acao promovida pela Imagem Subversiva. O que equivale perguntar: O Que as imagens ditas subversivas querem afinal subverter? A resposta e, talvez, instigante: A Imagem Subversiva questiona o conceito de Identidade. Como parte do piano pre-estabelecido de uniformizacao de reacoes e implantacao de padroes comportamentais aceitaveis, a Sociedade do Espetaculo desloca o indivfduo da sua subjetividade pessoal e o convence das vantagens de fazer parte da plateia global, onde os grupos sao tratados em blocos estratificados e organizados segundo sua capacidade de consumo e papel social.

Para amenizar o impacto dessa reducao, e oferecida, com freqiiencia, doses homeopaticas de interatividade parcial, promovendo a ilusao da existencia de uma autoria coletiva ou singular por parte do publico, quando da manifesta conducao real dos processos e conseqiiencias por parte do Dono do Espetaculo.

Nesse formato a identidade esta em permanente conflito com as urgencias implantadas de uma homogeneizacao comportamental. As Imagens Subversivas, atraves de seus conteudos imantados de significacao conflitante, forcam os observadores a procurarem um novo formato de compreensao e, conseqiientemente, a construirem um pensamento novo, exercendo assim uma autonomia indesejada pelas esferas de poder. O que nos leva a cogitar a real possibilidade de que uma exposicao constante a Imagens com conteudo subversivo pode exercitar a construcao de uma nova identidade, que rejeite a identidade oficialmente sugerida pelas estruturas de dominacao.

Essa questao ja se torna intima de muitos artistas da chamada Arte Contemporanea, ciosos que estao da necessidade de promover o estranhamento que, acredita-se, levara as reformulates conceituais pertinentes a construcao do novo corpus coletivo. Dessa forma, pode-se dizer que enquanto germinadora de experiencias que promovem um re-entendimento do significado das coisas e dos processos, a Arte Contemporanea e uma fabrica de Memes, lembrando que um meme esta para o pensamento assim como o gen esta para DNA.

Quanto mais memes se produz, mais conexoes sao processadas e pensamentos novos emergem. Novos pensamentos, novas lembrancas, novos referenciais de realidade. A identidade e, antes de qualquer coisa, uma experiencia mnemonica de constante reconhecimento e re- elaboracao desse reconhecimento.

A Arte Contemporanea e uma frente de guerrilha da Imagem Subversiva. Outra questao que se assinala e: em que campo de batalha se da o confronto entre a Ordem Vigente e a Imagem Subversiva? Facilmente se chega a conclusao que, considerando como aceitavel o fato de que as Imagens Subversivas questionam a identidade padronizada, o campo de embate e o proprio indivfduo, na sua dimensao corporea e na sua consciencia de si e do meio.

Freqtientemente as Imagens Subversivas apresentam situates que promovem um estranhamento entre o que e visto e a comparacao com o real. Fusoes, deslocamentos, aliteracoes, insurbordinacoes esteticas, escatologia, surrealismo, apropriacoes, plagios, heresias, mistificacao e conspiracao, sao elementos utilizados com o objetivo de forcar a reflexao apontada anteriormente.

O lugar onde isso se da tanto pode ser a ideia do ser e sua representacao transfigurada, como o proprio corpo, apresentado com uma nova anatomia ou uma nova relacao com o espaco e as coisas. Uma questao que nao pode deixar de ser explorada e quais sao os caminhos preferenciais que a Imagem Subversiva percorre para levar seu intento as consequencias desejadas. A producao de Imagens Subversivas tern como principal construtor o artista ou pensador marginal.

A condicao de outsider possibilita a inclusao em sua producao de imagens dessa natureza, sendo quase sempre rejeitado pelas estruturas culturais oficiais de sua epoca ou relevado a circulacao restrita de sua producao a uma minoria intelectualizada ou a guetos culturais. Nao e o caso dos grupos de Congestionamento Cultural, chamados de Culture Jammers, que interferem em espacos publicos como shopping centers e pracas encenando esquetes de autores marginais ou melhorando outdoors com inscricoes que subvertem o significado original da mensagem.

O mesmo ocorre com o resgate do ideario do movimento situacionista e suas inumeras apropriacoes de conteudos pop com o fim de reapresenta-los adulterados por frases que exprimiam seu pensamento e manifesto. Cabe aqui louvar a obra de Charles Baudelaire, Rimbaud, os poetas beats e Burroughs como essenciais para a construcao desse novo imaginario.

Os Cut-ups de Burroughs e a producao de uma poesia visualmente subversiva por parte do autor de O Barco Bebado e tantos outros autores marginais, sao fundamentals no universo da subversao imagetica. Como ultima reflexao, gostaria de colocar uma questao que acredito ser crucial para o desenrolar desse embate entre a Imagem Subversiva e a Ordem Vigente: Como a Imagem Subversiva pode construir uma nova mitologia ou mesmo propiciar a construcao de mitos coletivos ou individuals sem ser, ela mesma, um instrumento redutor da mitologia pessoal de cada ser?

Sistemas de trocas de arquivos, que permitem a atividade de compartilhamento em grande quantidade, distribuida e em rede, oferecem oportunidades sem igual para por em cheque os regimes de propriedade intelectual que controlam a industria da midia. Mas enquanto os arquivos que sao compartilhados em tais sistemas sejam as super promovidas, mercantilizadas e sobrecodificadas producoes de Hollywood e da industria musical, quao radicals podem realmente ser nossas "revolucionarias" economias de compartilhamento de arquivos?

Dirija-se ao V2V, uma cooperativa de compartilhamento de arquivos que resultou dos primeiros workshops D-A-S-H realizados em Weimar, Alemanha, em maio de O V2V objetiva construir urn sistema de publicacao aberta para a filiacao e distribuicao de material de video independente, politico e de esquerda pelos atuais dominios de compartilhamento de arquivo.

A iniciativa, baseada em servidores chave seguros e feeds RSS Rich Site Summary 1permitiria o compartilhamento em muitas infraestruturas diferentes - incluindo Gnutella, Edonkey e o recentemente aclamado BitTorrent. Ao prover urn backbone estavel para os arquivos da cooperativa, assim como chaves hash 2 para identificar a midia, o V2V sistematicamente evita os problemas centrais do P2P: instabilidade, indisponibilidade e spams deliberados de conglomerados da midia desejando acabar totalmente com o compartilhamento de arquivos.

O grupo por tras do V2V, incluindo membros de coletivos de video e ativistas de midia de Nova York, Roma, Londres, Berlim e Munique, ve suas atividades como parte da crescente tentativa de fazer com que o cinema se aproxime da tecnologia que o cerca. Eles nao estao falando de efeitos especiais. Os membros do V2V veem seu sistema de filiacao como "distribuicao para as multidoes digitais": "acreditamos em imagens com codigos abertos", eles escrevem em seu mais recente manifesto nao- oficial"potencializando as narracoes coletivas, mudando pontos de vista, compartilhando conteudos, habilidades e recursos rapidamente, possibilitando multiplas conexoes entre nodos criativos e redes.

Producao e distribuicao vao finalmente se convergir num processo de compartilhamento de suas imagens com outras. Imagens virtuais que todos podem editar, mudar e repassar.

A consideracao do projeto pelas questoes centrais dos direitos de artistas e individuos, e a experimentacao com a licenca dos Creative Commons e codecs abertos de video 3sugerem urn comprometimento absoluto de estabelecer uma infraestrutura de compartilhamento para filmes produzidos pela comunidade para consumo da comunidade. Se bem sucedido, o V2V poderia dar um novo sopro de vida para o absurdamente comercializado "patrimonio comum" do P2P.

Notas: 1. RSS e um formato padrao criado para compartilhamento de conteudo Web. Usando um programa bastante simples, chamado de leitor de RSS, o usuario pode, por exemplo, receber as manchetes publicadas em seu jornal online predileto assim que elas sao publicadas. Alem disso, por exemplo, e possfvel ler as notfcias no proprio leitor de RSS, sem necessidade de acessar o site do jornal.

Para que isso seja possfvel, e necessario que o jornal em questao disponibilize um arquivo XML que alimentara o programa leitor instalado no computador do usuario. A este arquivo da-se o nome de feed. Nota do Tradutor. Hash e uma funcao algoritmica com uma estrutura de dados que permite o rapido reconhecimento de uma palavra-chave em um conjunto de palavras usando somente uma pesquisa na estrutura de dados.

Cada dado armazenado e associado a uma chave, por exemplo, o nome de uma pessoa. Um codec e um algoritmo utilizado para compactar e descompactar arquivos de som ou de video.

Um codec aberto e aquele cujo codigo esta aberto para desenvolvedores, como no caso da comunidade Linux, livre de patentes e de royalties. V2V www. Fonte: Metamute www. Os americanos sabem disso, que a unica esperanca sao os discos voadores. Como uma pessoa que estd morrendo. E uma larva que estd morrendo para gerar uma borboleta.

Nao devemos impedir a larva de morrer, devemos ajudd-la a morrer para ajudar a borboleta a nascer. Precisamos dancar com a morte.

Este mundo estd morrendo, mas, muito bem. Resultaremos numa grande, uma enorme borboleta. Voce e eu seremos os primeiros movimentos nas asas da borboleta por estarmos falando disso". Alejandro Jodorowsky cultuado cineasta underground Alejandro Jodorowsky uma vez afirmou: "Eu espero do cinema o que a maioria dos norte-americanos esperam das drogas psicodelicas". Nascido em em Iquique, Chile, Jodorowsky teve uma infancia misteriosa antes de viajar a Paris em para estudar mfmica com Marcel Marceau.

Durante os anosJodorowsky fez experimentos com mimica e quadrinhos suas Fabulas Panicas semanais tiveram exito duradouro no Mexicoencenando performances artisticas Vermes Do Vaticano. - Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl) vanguarda tal como Melodrama Sentimentaluma peca de quatro horas que combinava temas religiosos e violencia que mais tarde se tornariam temas de Jodorowsky.

Junto com os surrealistas Fernando Arrabal e Roland Topor, ele criou o Teatro Panicoque encenou happenings e causou uma balburdia geral. El Topo EmJodorowsky fez sua estreia como diretor com o filme Fando y Liz, que refletia a pertubacao psicologica e o levante socio-politico que rodeava o Mexico.

No entanto, foi El Topo que catapultou Jodorowsky ao status de cult. As imagens oniricas tambem sugeriam a proximidade de Jodorowsky com cineastas de vanguarda como Kenneth Anger e Maya Deren o filme pode ser melhor descrito como urn "faroeste psicodelico".

Jodorowsky compos o roteiro e a trilha sonora, fez a direcao, e estrelou em El Topo, contribuindo para sua notoriedade. Sua sequencia The Holy Mountain continuou uma obstinada exploracao de atavismos primordiais e um imaginario profundamente espiritual, muitas vezes transgressor.

Hollywood acenou. E entao a hiperbolica bizarria entrou em erupcao. The Holy Mountain Ha muitas estorias conflitantes sobre as infelizes tentativas de levar o romance Duna de Frank Herbert para as telas, mas o elenco de colaboradores era inacreditavel.

Pink Floyd, no auge de sua criatividade, se ofereceu para criar a trilha. Dan O'Bannon foi contratado para supervisar os efeitos especiais; o ilustrador Chris Foss para desenhar as espaconaves; H. O projeto foi eventualmente cancelado empassando subsequentemente para Ridley Scott, e depois para David Lynch, cujo filme foi criticado tanto pelo publico quanto pela critica. Poderia Jodorowsky - mestre de temas mitologicos profundos - ter superado George Lucas?

O filme seguinte de Jodorowsky, TUSKpadeceu no ostracismo, e ele passou seis anos desenvolvendo o enredo para o que eventualmente viraria Santa Sangreuma exploracao violentamente pessoal da dinamica familiar, do assassinato e da obsessao.

Bern recebido pela critica, Santa Sangre levou a um ressurgimento do interesse na obra de Jodorowsky. Santa Sangre The Rainbow Thief e provavelmente o projeto mais comercial que Jodorowsky ja fez, embora ele tenha odiado trabalhar com Peter O'Toole. Viaje a Tulun e Abelcaim mostram uma bem vinda volta a forma.

Jodorowsky tambem publicou muitos romances e quadrinhos, e sua visao continua a influenciar muitos artistas que hoje exploram a cartografia interna da psique, mais notavelmente Marilyn Manson. Amando ou odiando-o, Jodorowsky e seguramente o misterioso autor "esquecido" do Cinema Underground. Fonte: Disinformation www. No projeto Brocolis, o corpo esta presente enquanto tematica de uma serie de videos que abordam, de um modo ou de outro, uma diversidade de questoes que encontram na carne seu local de inscricao identidade, memoria, genero, sexualidade, etc ; e tambem, no sentido de congregar o contato entre pessoas e grupos em um canal de comunicacao via web, formando assim uma especie de "corpo coletivo", constituido principalmente a partir da Internet e das redes sociais que sao engendradas neste processo de intercambio e circulacao de trabalhos.

Este ensaio, de carater introdutorio, pretende tracar uma breve retrospectiva dos caminhos trilhados ate entao, assim como apontar alguns novos rumos para a Brocolis VHS. I Como muitos sabem, VHS e a abreviatura de. Nos anoso sistema VHS foi um dos grandes responsaveis pela popularizacao da imagem eletronica, possibilitando ao consumidor de classe media assistir filmes telecinados em casa, gravar programas de TV, editar seus proprios videos, entre outras utilidades Santoro,p.

Na contemporaneidade, as possibilidades oferecidas pela tecnologia digital acessivel ao publico - acesso a Internet, edicao em computadores domesticos, miniaturizacao e barateamento de cameras, pirataria de softwares etc - proporcionou um fenomeno que alguns pesquisadores chamam de "video de garagem" Moran,p. O que antes era feito em caras ilhas de edicao, agora pode ser realizado em uma maquina caseira e veiculado na web, dinamizando e democratizando os meios de producao e distribuicao.

Mais recentemente, na Internet, circulou urn rumor que a fita VHS estaria sendo utilizada para fazer urn cha alucinogeno. Em contraste com as bebidas psicoativas tradicionais, derivadas de elementos da natureza cogumelo, lirio, peiote, ayahuasca etco cha de VHS tern como materia- prima a fita magnetica, uma substancia artificial composta por cristais de oxido.

Essa especie de "lenda urbana", nos parece uma boa metafora para pensarmos a interacao do corpo com a tecnologia na contemporaneidade, onde o sujeito esta se tornando cada vez mais, ciborgizado ou seja, urn "hibrido de maquina e organismo, uma criatura de realidade social e tambem uma criatura de ficcao" Haraway,p.

O cha de VHS ilustra, de certo modo, essa conexao corporal direta que estamos tendo com o video: games, TV, computadores, paineis eletronicos, circuitos de seguranca e celulares participam hoje, com desenvoltura, de nosso cotidiano e imaginario cultural. Na carne, a tecnologia e apreendida e registrada, modificando nossa percepcao de mundo.

Tendo como uma de suas caracteristicas principais a baixa resolucao linhas e o baixo orcamento, o VHS foi, a partir dos anosuma via de acesso a producao de imagens em movimento. As camcorders - principalmente as do formato VHS-C - tornaram-se acessiveis ao consumidor de classe media que, a partir de entao, pode realizar seus proprios videos, passando da condicao de espectador para a de potencial realizador. Essa mudanca de posicoes trouxe, como uma de suas conseqiiencias, uma maior proximidade do publico com a linguagem audiovisual, na medida em que surge a possibilidade de experimenta-la sem maiores comprometimentos.

Mas se de urn lado ha o preconceito, de outro o Video Home System tornou-se cultuado como icone de contestacao aos modelos de representacao tradicionais, justamente por suas propriedades como imagem precaria. A parodia Video Homeless System, que acompanha o nome Brocolis, surge como uma maneira de exprimir uma de nossas ideias principais: reunir e trazer ao publico, atraves da Internet, mostras do acervo, fanzines, festivais e emissoras de TV, uma significativa parcela da video-cultura que, nao raras vezes, e excluida dos circuitos oficiais de exibicao.

Ao realizar e apoiar producoes independentes, ou seja, que estao a margem do sistema comercial, o Brocolis VHS atua, em certo sentido, como uma midia de resistencia aos canones da linguagem eletronica hegemonica. Essa proposta, que remonta aos celebres "saloes dos recusados" do final do seculo XIX, engendra a configuracao de espacos contaminados por uma diversidade de realizadores, onde uma poetica colaborativa firma-se atraves de urn corpus heterogeneo, operando o contato entre produtores de videos, bandas, artistas e coletivos.

No Video Homeless System esta o desejo de criar urn canal de difusao para manifestacoes videograficas que abrigue, e faca circular, ideias e processos criativos em desenvolvimento. Inicialmente, o Brocolis surgiu da expressao de dois corpos em urn "contexto criativo compartilhado", entendido aqui como urn ambiente em que se quebra a crenca tradicional de que a criatividade e uma luta solitaria e individual pela auto-expressao artistica Chadwick e Courtivron,p.

Esta oficina marcou definitivamente a Brocolis VHS, tanto do ponto de vista ideologico como afetivo, pois alem de ter proporcionado o nosso encontro - e o encontro com outras pessoas que nos sao muito caras, incluindo ai o proprio Ze do Caixao - trabalhar com Mojica nos estimulou a criar videos com poucos recursos, sugerindo modos de producao alternatives, como a pratica do it yourself.

Nesta ocasiao realizamos dois experimentos que elegeram, cada qual ao seu modo, o corpo como urn elemento significante da trama diegetica: Literalmente Comida e Fdlicas. Quando a oficina terminou, tivemos que lidar com a distancia geografica que se interpunha entre nos, ja que nos dividiamos entre as cidades de Sao Paulo SP e Rio Grande RS. Comecamos entao a nos corresponder atraves de video-cartas 2.

Durante o periodo de urn ano e meio, experimentamos uma especie de deslocamento corporal para a fita magnetica, que viajava e levava a telepresenca do outro, possibilitando assim urn contato atraves de imagens e sons.

Em carne e osso, juntamos essas correspondencias e montamos uma das primeiras video-instalacoes da Brocolis, que Vermes Do Vaticano. - Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl) em colocar dois monitores, muito proximos, um em frente ao outro, apresentando essas videocartas.

Em cada TV, um enviava sua mensagem para o outro. O trabalho se chamou Vi'deo-didlogomas na verdade o que ocorria era uma desconversa sicja que as televisoes falavam sozinhas, apresentando assim a impossibilidade de comunicacao entre esses corpos aprisionados no ecran eletronico. Imagens que reclamam sua propria condicao enquanto tal e que, diante uma da outra, nao se veem.

Obsessao e frustracao, o Video-didlogo expoe a incapacidade do contato corporal, e a experiencia de um encontro atraves da maquina interpolada entre nos. As pequenas ficcoes realizadas no ambiente domestico: Animal FeticheMisterios de la carneA manicure do vampiro e Pre-edicdo matrimonio infernalincorporaram personagens narrativos como John, Glenda, Brenda e Mr. Khamis, com forte influencia do cinema trash. Para a Brocolis, a utilizacao do proprio corpo e um modo recorrente de enunciacao, pois alem da praticidade de estar disponivel a qualquer hora e fazer-se enquanto instrumento de trabalho, a auto-imagem funciona como um modo de problematizar questoes relacionadas ao processo de construcao da identidade e memoria do sujeito, tao em xeque em nossa sociedade.

A necessidade de afirmacao do indivfduo - ou a evidencia de sua fragmentacao - e hoje mediada pelos aparatos tecnologicos, um sintoma que nossos corpos estao cada vez mais em dependencia, constante e violenta, com imagemcamera.

Desde entao, o corpo pode ser considerado como um dos principais objetos de investimento na atual arena cultural. EmRosalind Krauss cunhou a proposicao "estetica do narcisismo", ao referir-se a producao de video-arte norte- americana. No Brasil, Vermes Do Vaticano. - Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl), tambem se percebe a forte presenca do corpo auto- referencializado 5. Conforme Arlindo Machado, a auto-representacao do corpo esta presente desde os primeiros tempos da experiencia do video no Brasil, constituindo-se como uma tendencia do video experimental em deslizar rumo a auto-imagemp.

A ideia basica de Corporis consiste em gravar corpos nus secionados em tres partes: cabeca, tronco e genitalia. Cada um desses pedacos traz fortes informacoes identitarias que, ao serem misturadas, montam seres hibridos e fragmentados, embaralhando as fronteiras etnicas e de genero. Na versao do Corporis para Internet, essas partes sao congeladas e animadas, de acordo com o clique do usuario. Essa interferencia no tempo do video, ao fixar certos frames e deixar correr outros, permite que se faca varias combinacoes corporais diferentes.

Corporis - Brocolis VHS, Corporis reflete alguns caminhos novos para o Brocolis VHS, no sentido de estarmos interessados nas potencialidades de agenciamento entre homem e maquina a partir da Internet. E isso nao implica necessariamente em dispendiosos investimentos com tecnologia de ponta caves, ambientes de imersao, proteses digitais, etcmas com acessiveis conexoes discadas que permitem o desenvolvimento de comunidades digitais foruns, listas de discussao, chats e sistemas gerenciadores de conteudo.

No inicio, o website serviu como uma especie de portfolio dos videos feitos ate entao, na medida em que a crescente quantidade de experimentos nos impunha a sistematizacao do material produzido. Mas, aos poucos, a pagina se tornou um espaco que passou a abrigar as producoes de outros realizadores, na medida em que surgiam os novos contatos e as trocas de videos.

Ha, de fato, uma serie de possibilidades que advem da interseccao do video com a Internet: alem de funcionar como um modo alternativo de veiculacao e permuta de trabalhos, os videos ganham mais forca quando participam de uma coletividade, formando assim uma rede social de troca de experiencias.

Assim, a Brocolis vai congregando a producao de videos independentes e os disponibilizando para consulta, em uma especie de banco de dados on- line. Esses trabalhos ficam fazendo parte de urn acervo, e sao divulgados e exibidos em diferentes midias sempre sob o credito de seus autores. Temos em mente urn eixo curatorial informal em sua proposta: difundir todo e qualquer trabalho que nos e enviado.

O criterio aqui seria algo proximo a falta de criterio, pois o mundo ja esta cheio de paradigmas, ou, como diria Jean Dubuffet, o importante e simplesmente "estar contra"p. E ai que podemos notar o surgimento de uma outra nocao de corpo, urn corpo coletivo que surge nas imbricacoes dos sujeitos envolvidos na rede. Frederico Morais faz algumas consideracoes interessantes em "Video- arte: revolucao cultural ou urn titulo a mais no curriculo dos artistas?

O critico examina a transicao do corpo ao meio eletronico, do carater documental da acao efemera happening as expressoes sobre o proprio video. Made in Brasil - tres decadas do video brasileiro. Sao Paulo: Itau Cultural,pp. Amor e Arte: duplas amorosas e criatividade artistica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Cultura Asfixiante.

Buenos Aires: Ediciones de la Flor, Antropologia do Ciborgue: as vertigens do pos-humano. Belo Horizonte: Autentica,p. Manual do video. Sao Paulo: Summus, The Artist's body. Londres: Phaidon, Sao Paulo: Itau Cultural,p.

Machado Coord. Salvador,p. A imagem nas maos: o video popular no Brasil. A miniaturizacdo de equipamentos de producao como cameras digitals e ilhas de edicdo em computadores domesticos esta criando o video de garagem. A qualidade do equipamento permite tanto o transfer para cinema 35mm, quanto um trabalho jornalistico.

Ha um tempo maior para imersao nos trabalhos. Por outro lado, mais de um trabalho costuma ser produzido ao mesmo tempo. Algumas vezes os trabalhos surgem do registro gratuito de situacoes, roteiros sao apresentados em video.

Em suma, a caneta digital e a versao garagem do audiovisual com as portas abertas a diversas experiencias. Agosto, de Avi Mograbi Vinheta de apresentacao Na introducao de seu livro The language of new media, Lev Manovich coloca o desafio de se pensarem as novidades das novas mfdias no momento em que as estamos experimentando. Para o autor estudos desta natureza podem ter mais equivocos, o que seria um resultado do olhar projetivo e da falta de maturidade no uso do meio.

Mas este tipo de esforco tern alem do papel que cabe a qualquer ensaio teorico - o de elaborar uma perspectiva de analise sobre um assunto especifico - fornecer a futuros estudiosos nosso ponto de vista ainda verde em algumas questoes, sobre as novas midias.

Estaremos assim mostrando o olhar da descoberta e por conseqtiencia o que estas inovacoes significaram por ocasiao de seu lancamento para as pessoas que viveram sua instauracao.

Nos propomos a abracar esta "causa" e tentar mapear e analisar algumas mudancas na maneira de producao audiovisual tendo em vista a generalizacao do uso do equipamento digital, seja na captacao ou finalizacao. Nossa enfase e a tecnologia digital e como novos habitos, comunidades e culturas resultantes desta producao fazem emergir um novo processo criativo, uma nova criatividade. Gostarfamos de lembrar que um novo artefato tecnologico nao se traduz necessariamente em uma proposta de linguagem inovadora.

Mas diversos trabalhos exibidos tanto no circuito comercial quanto no alternative tern mostrado experiencias instigantes que souberam utilizar recursos oferecidos pelo equipamento digital de uma maneira ainda nao vista. Realizadores consagrados como Godard em seu ultimo filme O elogio do amor trata a cor conferindo novo sentido as imagens.

O documentarista israelense Avi Mograbi, um dos vencedores do Festival de Berlim de e de diversos festivals, entre eles o "It's all true"no Rio de Janeiro e Sao Paulo com seu filme Agosto tambem tern uma perspectiva particular e inventiva. Destacamos o trabalho de Mograbi menos pelo uso da cor e mais pela maneira como a camera, uma mini-DV, imprime a movimentacao e a imagem captada uma tensao e descomprometimento tfpicos do que denominamos caneta digital.

O realizador vai para as ruas e se propoe explicitamente a aventura de ser sujeito e objeto do trabalho. Ele tern urn proposito, ele busca uma questao, e sai para a rua em busca dela. Este e urn dos aspectos da miniaturizacao do equipamento que iremos tratar adiante. Nos dois casos temos pecas audiovisuais marcadas por uma opcao tecnico-estetica.

O cinema digital atinge tanto a ponta comercial da arte do audiovisual, quanto possibilita a invencao de novas formas de trabalho a qual denominamos de video de garagem, numa alusao direta ao rock de garagem e a liberdade de expressao proporcionada nesta situacao de trabalho.

Buscaremos urn paralelo entre a cena punk do inicio dos anos 80 e a situacao do audiovisual nos dias de hoje. Tambem utilizaremos a titulo de exemplo experiencias como as de Avi Mograbi acima citado, e de Eder Santos, artista brasileiro que tern uma carreira internacional construida com sua criacao audiovisual em video, instalacoes e performances. Recentemente, na apresentacao de seu ultimo projeto de roteiro Blue Desert, vencedor do concurso promovido pela Fundacao Vitae, Eder entregou parte dos aspectos formais exigidos pelo edital em video.

Ou seja, antes de desenvolver o roteiro - o concurso era para a realizacao do roteiro - ele apresentou imagens e sons. O que aparentemente e urn paradoxo, entregar urn video para pleitear recursos para redigir urn roteiro, pode estar se configurando em Vermes Do Vaticano.

- Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl) escrita. Em suma, nos propomos a mapear uma nova cultura de producao proporcionada pelo barateamento e melhoria de qualidade do equipamento digital. Consideramos que esta mudanca traz urn novo olhar, urn novo tipo de imersao no trabalho o que resulta na escrita da caneta digital.

A cena digital A consolidacao da pesquisa e producao audiovisual vem acompanhada da uniao de empresas como a Lucas Filmes, de institutes governamentais como a NASA, de universidades e de artistas para a investigacao e descoberta de solucoes tanto no ambito de simuladores com uma utilizacao pratica imediata, quanto de trabalhos artisticos e comerciais l. Essa uniao de saberes para a criacao de hardware, software ou pecas de arte testemunha a importancia da uniao e troca de conhecimentos possibilitados e demandados pela cena digital.

A associacao dos grupos acima citados nao se restringe a invencao de novos instrumentos de trabalho, passa por solucoes que se fazem presentes no trabalho, na imagem no som, enfim na linguagem. Essa uniao e ainda importante em termos da filosofia da ciencia pois saberes que estavam separados sao chamados novamente a operar em conjunto. Os realizadores que nao tern acesso a tecnologia mais cara de uma linha, que fazem seus videos de garagem, tambem participam dos debates de criacao e ajuste de programas.

Sejamos mais claros. Urn programa antes de ser lancado no mercado, tern versoes beta disponiveis na rede para o uso dos curiosos. Alguns destes, normalmente jovens inventivos, se deliciam em apontar falhas nos programas, inclusive criam uma disputa entre si para ver quern conseguira entender melhor o programa e descobrir usos nao previstos dos mesmos. De acordo com as sugestoes oferecidas pelo testador curioso, as companhias elegem alguns para receber diversos produtos da empresa e testa-los.

Listas de discussoes na rede sobre programas aprovados, mas com suas primeiras versoes ainda com problemas, tambem utilizam as questoes levantadas pelos usuarios para repensar e refazer a nova versao do programa. Estas situacoes sao urn esboco de uma nova cultura de troca e producao da cena digital.

De urn lado ha o esmaecimento da linha divisoria entre profissionais e amadores. Os testadores nem sempre sao desenvolvedores de programas, mas estao sugerindo mudancas para estes. Outro dado interessante e que muitas vezes quern mais contribui sao jovens com tempo disponivel, jovens que tern uma relacao apaixonada com as maquinas e em suas "garagens" operam como profissionais.

A fronteira arte e nao arte tambem e atingida. Designers graficos e realizadores de filmes voltados para a rede por exemplo, nao necessitam do carimbo de arte para produzir, e assim caminham e criam experimentacoes originais entendidas pelos estudiosos de arte como tal.

Urn computador G4 da Macintosh, urn software de edicao de imagens, outro para o som, uma camera digital funcionando como video, duas caixas de som, urn amplificador e urn monitor sao mais baratos que dois videos Betacam, e com videos Betacam nada se faz, enquanto com esta configuracao de equipamento e possivel se realizar a captacao, finalizacao e ate distribuicao pela rede do trabalho.

O avanco da industria no barateamento das maquinas tern proporcionado a urn numero cada vez maior de pessoas o acesso a criacao. O aumento da quantidade de trabalhos produzidos extrapola urn dado estritamente estatistico. Urn maior numero de trabalhos representa potencialmente mais pessoas realizando e de maneira diferente. A qualidade, o novo, nao tern uma relacao causal com a quantidade, mas potencializa alternativas de expressao diferenciadas, principalmente quando consideramos que os custos de alguns trabalhos sao pequenos pelo fato dos meios de criacao estarem ao alcance do realizador.

O acesso a programas tambem nao se pauta em divisoes profissional e amador. Alguns softwares como o Photoshop 3 sao utilizados tanto por amadores, quanto profissionais.

Do garoto que tern uma copia pirata, Vermes Do Vaticano. - Putrefação Humana - Colhendo Desespero (Vinyl) urn generico segundo os vendedores, ao profissional de Hollywood, todos usam o Photoshop. Mas nao e apenas no acesso a urn software que percebemos a proximidade do trabalho amador e profissional, diversos procedimentos de manipulacao de programas sao proximos. A ampliacao dos "circuitos" de exibicao como ja citamos e uma novidade da cena digital.

Urn filme produzido digitalmente pode ser exibido na internet e tambem transferido 4 para o cinema alcancando assim os circuitos tradicionais. A internet e o campo por excelencia de expressao de trabalhos experimentais, a ausencia praticamente completa de compromissos institucionais ou comerciais faz dos filmes produzidos para a internet urn campo ideal para a experimentacao.

Em se tratando da exibicao no cinema, alem dos aspectos comerciais implicados na possibilidade de se alcancar o circuito mais organizado em termos de mercado temos a abertura de flancos para experiencias pessoais chegarem aos rincoes mais conservadores da producao audiovisual, promovendo discussoes de linguagem em um ambito oficial.

Novamente o digital proporciona a duas pontas opostas em termos de condicoes e estrutura o acesso a producao de bens simbolicos. Do mainstream da sala de cinema a filminhos colocados na rede ha uma logica digital.

A captacao em video, para a posterior utilizacao da imagem no cinema nao e uma novidade. Pelo contrario, muitas experiencias pioneiras foram realizadas antes de entrarmos no uso generalizado do video para a pos- producao em cinema como vemos hoje. Em Arlindo Machado 5 ja discutiu em seu livro A arte do video a aproximacao entre o cinema e o video. Na epoca o sinal era analogico e o equipamento eletronico, hoje e digital.

Mas as diferencas entre aquele momento e hoje nao se restringem a um aspecto tecnico. Estas tern implicates na quantidade de trabalhos realizados, na ampliacao do alcance potencial destes filmes e na maneira de criacao. Em suma, a cena digital nao obedece a modelos excludentes de invencao.

Temos distintos projetos de realizacao, de linguagem e de formato. Na sala de cinema o digital aparece na transferencia de fita para filme e em efeitos especiais.

De outro lado ha uma gama praticamente imensuravel de trabalhos sem muitos vinculos institucionais, sem compromisso com procedimentos de linguagem usuais. Estes sao livres, muitas vezes criativos, sao as expressoes de subjetividade produzidas para a internet ou para ser exibida em mostras locais, bares e festivais de cinema.

As listas distribuidas pela internet de festivais e eventos internacionais nao param de chegar solicitando trabalhos que muitas vezes sao a manifestacao de grupos e tern a intencao de expressar anseios dos criadores do trabalho.

Algumas defesas da cena digital tern o torn das Utopias modernistas. Nas comunidades virtuais de discussao vemos um entusiasmo militante. Novamente cito Lev Manovich 6 quando na conclusao de seu texto sobre a Geragao Flash 7chama nossa atencao para as possibilidades de montagem materializadas na internet.

Por que as pessoas se dedicam a fazer filminhos, com programas disponibilizados na rede? E porque "nos ainda precisamos de arte. Nos ainda queremos dizer alguma coisa sobre o mundo e sobre nossas vidas nele, nos ainda precisamos de nosso proprio espelho no meio de uma estrada empoeirada, segundo expressao de Stendhal para chamar a arte do seculo XIX. Ate situacoes de trabalho corriqueiras podem responder diferente no trabalho.

Ha uma instabilidade inicial interessante para o realizador que decidir abracar a alternativa de transformar sua maneira de criar, de deixar seus habitos, para tambem fazer da tecnica uma fonte de inspiracao, uma aliada na exploracao recursos de linguagem ainda nao experimentados.

O video de garagem Temos usado a expressao vfdeo de garagem para nomear uma condicao de trabalho criada com a miniaturizacao do equipamento de captacao e finalizacao. O barateamento de equipamentos para producao audiovisual esta socializando os meios de producao. Em paises como o Brasil onde as desigualdades e carencias atingem grande parte da populacao, onde grande parte da populacao e excluida do consumo e dificil falar em socializacao em urn sentido amplo 10mas ha urn acesso maior a equipamentos.

Escolas de comunicacao e de artes tern mais facilidades para adquirir as maquinas e pessoas tern comprado o equipamento individualmente ou em grupos. Novas formas de organizacao aparecem. Uma producao de garagem retoma urn estado de espfrito da contracultura. O compromisso do realizador e com suas questoes. O video de garagem e uma proposta de organizacao e de trabalho.

Uma pessoa pode ter urn equipamento destes e fazer urn uso convencional do mesmo. O realizador de garagem nao faz, para ele ter acesso a urn meio de producao e uma maneira de falar, de se expressar, de construir representacoes sobre seu tempo. Urn dos pontos que os aproxima da cena punk esta no slogan do movimento punk, a palavra de ordem era "do it yourself". Este slogan trazia embutida a ideia de que nao havia porque se esperar gravadoras para produzir os discos, eles deveriam ser realizados independente de urn dominio tecnico virtuose do meio, independente de gravadoras e mesmo de empresarios.

Existia a proposta de uma relacao social de producao. Hoje os garotos que auxiliam na definicao da dinamica de programas e fazem video instalacoes, filmes para internet ou para o cinema estao imbuidos deste estado de animo, eles fazem seus filmes independentes sem compromissos institucionais.

Isso implica uma maior liberdade de criacao. A maneira como as pessoas se organizam nas garagens tern urn espirito comunitario. Os trabalhos sao discutidos e criticados em grupos, as ideias circulam. Curiosamente foi este principio que uniu a dupla Steve Jobs e Steve Wozniac inventores da Apple, atual fabricante do G4.

Em meados da decada de 70, ainda sob a egide do movimento hippie eles se reuniam em garagens no Silicon Valley para desenvolver traquitanas tecnologicas. Os computadores que tern possibilitado o video de garagem sao tataranetos dos ideais de liberdade, da aventura 11 do fazer aonde o compromisso e com a necessidade pessoal de expressao, seja representativa de minorias ou trabalhos mais poeticos e pessoais.

Esta alternativa de criacao gera trabalhos marcados pela condicao de producao do digital de garagem. O video So de Conrado Almado e urn exemplo. Com duracao de quatro minutos, ele foi exibido no VideoBrasil de Segundo sinopse do catalogo do Festival, So "narra a insolita trajetoria de urn jovem ao interior de seu ego.

La, ele se ve so, tendo como unica companhia sua propria pessoa". So utiliza urn unico ator e pelo corte quase obsessivo de alguns frames desumaniza a pessoa. A personagem e transformada em uma animacao, sua questao existencial nao e apresentada por textos ou reflexoes, e na maneira de se relacionar com o espaco, em como ela se situa no espaco, que vemos seus estados emocionais.

O desconforto da perda parametros existenciais tern seu correlato na imagem, na maneira como o filme e cortado. O desespero da personagem esta no ritmo frenetico da imagem e do som, e linguagem. Conversei com Conrado sobre este trabalho e ele narrou uma situacao exemplar de uma certa incompatibilidade da experiencia de garagem e do mercado. Para o mercado tempo e dinheiro, para o mercado publicitario a solicitacao de vfdeos e para ontem.

Para a garagem tempo e invencao, e erro, e acerto, e descoberta, e uma serie de versoes para o mesmo trabalho. Conrado costuma ser procurado por agendas de publicidade que solicitam urn VT comercial com as caracterfsticas de montagem como as de seu filme de garagem So.

Perguntei-lhe como reagia, sorriu e disse, impossivel. O video de garagem pede o tempo da Utopia, pede urn tempo desperdicio; tempo do erro para o encontro de urn caminho para o trabalho.

Os realizadores de garagem investem em cada frame. Lembrando que cada segundo tern 29,97 frames o trabalho no frame a frame em maquinas semi-domesticas exige uma imersao e tempo fora de praticas comerciais. Arrisco-me a pensar que um trabalho como So existe gracas a esta condicao de trabalho. Um diferencial em termos de linguagem de filmes produzidos em computadores e essa manipulacao do detalhe, de cada frame. No cinema do filme fotografico e o laboratorio quern vai fazer, na era do eletronico, de ilhas de edicao analogica, a fita que e a parte material do trabalho nao suportava muitos cortes.

A constante pressao do cabecote do video na fita acabava por danificar a mesma, ela ficava amassada ou se rompia. Hoje, nos computadores, imagem e o som sao arquivos que podem ser cortados e colados ad infinitum sempre juizo da existencia fisica do mesmo, alias no computador eles nem existem fisicamente.

Filmes experimentais em pelicula e video eletronico tambem buscavam alcancar a materialidade do frame. No cinema 12 temos exemplos de cineastas como Fernand Leger, Man Ray e cineastas brasileiros do udigrudi dos anos 70 que desenhavam, arranhavam ou colocavam objetos no negativo para alcancar formas abstratas no positive No video um procedimento usualmente utilizado era fazer uma serie de copias xerox e grava-los quadro a quadro, na cena digital esta manipulacao do frame se concentra na finalizacao.

Um dos grandes trunfos do cinema digital e ter conseguido elevar a quantidade de cortes e ordenacao significante dos mesmos a tal ponto que chega, com e o caso de So ao transformar imagens realistas em abstracoes dada a quantidade de cortes e tratamento de cor a que a imagem e submetida.

Nestes casos o programa mais utilizado e o After Effects, como o Photoshop, tambem da Adobe. Outros trabalhos. Outras experiencias Neste ensaio usamos exemplos de filmes muito diferentes, pois como temos dito uma das caracterfsticas da cena digital e promover uma aproximacao de procedimentos de trabalho em proposta de linguagem bem distintas.

Ha no entanto diferencas em termos de velocidade e precisao das tarefas solicitadas a maquina, mas o tempo de dedicacao ao filme cria novos caminhos. Outro aspecto desta nova cena e o crescimento do papel da montagem na construcao da linguagem do filme. Se em animacao em ambientes virtuais pode-se prescindir da captacao, quando temos imagens captadas estas podem ser manipuladas em praticamente todos os seus parametros de cor, luz, forma, etc. O laboratorio perde sua funcao nos efeitos especiais.

Se tomarmos como exemplo o cinema eletronico, os efeitos de computacao eram criados e desenvolvidos em computadores para posterior incorporacao ao trabalho.

Hoje tudo esta no computador. O filme de Godard O elogio do amor ja citado acima modificou principalmente os parametros de cor. O que mais chama a atencao neste trabalho em relacao ao uso do digital e a desnaturalizacao da paisagem proporcionada pela cor. Godard usa filme preto e branco e quando trabalha com fita digital mantem as imagens coloridas.

A cor da paisagem de Godard so existe no filme nao e urn verde como o da natureza. A natureza de Godard e de urn amarelo arido misturado com urn certo roxo leve, puxado ligeiramente para o magenta.

Jogar com o naturalismo e a encenacao faz parte do filme. Ele aborda temas como o cinema, a guerra e a encenacao de uma maneira geral. Em urn jogo de naturalizar a encenacao, Godard nos fazer crer que urn teste de atores e uma situacao que esta acontecendo no filme.

Por outro lado, o campo e desnaturalizado. Em suma, a representacao como urn todo e colocada em questao. E sempre bom lembrar que o tratamento significante da cor foi usado em O misterio de Oberwald e em diversos filmes de Peter Greenaway o que muda hoje e que alternativas deste tipo estao disponiveis em escala comercial, sao uma opcao barata e o espectro de mudancas possiveis e bem maior.

A gama de recursos disponiveis e mais ampla.


Sitemap

I Only Want To Be With You - Dusty Springfield - Classic Dusty Springfield (CD), Ouverture Egmont, op. 84 - Beethoven*, Ernest Ansermet - Symfonie No. 5 / Overture Ëgmont; (Vinyl, L, One Way Ticket Home - Phil Ochs - Greatest Hits (Vinyl, LP, Album), Hey You - No Doubt - Tragic Kingdom (CD, Album), Joseph Straite - Tymepiece - Sweet Release (Vinyl, LP, Album), Faces Of The Jazzamatazz, Get Your Stuff Off, Si Tú Te Vas - Platero Y Tu - Colección (CD), พระจันทร์ - เฉลียง - เอกเขนก (Vinyl, LP)

8 comments

  1. A Cidade do Vaticano é o coração (se essa nefasta instituição algum dia teve um “coração”) da igreja católica e o Papa (Pontifex Maximus, um título usado pelos ditadores do Império romano) é o chefe da igreja e o supremo líder “espiritual” de todos os católicos do mundo. Mas o Vaticano esconde alguns dos segredos mais.
  2. A CURA PELO REIKI. Pode ser uma verdadeira surpresa,mas Reiki é usado para curar todos os tipos de condições e males instalados no seu corpo físico, emocional e/ou wypocisvegongtheresetfatersterno.coinfo pacientes experimentam uma aceleração do seu processo de Cura quando combinam o Reiki com a medicina tradicional ou outras wypocisvegongtheresetfatersterno.coinfo vem do Universo;Vem de uma inteligência Superior que gere toda .
  3. Os segredos do Vaticano em documentário. O Blog Segredo da Verdade tem por objetivo trazer luz acerca da escritura,dando base a uma fé pura e genuína, desmistificando assuntos das quais ainda muitos ainda estão sendo enganados e comer do pão verdadeiro do filho de Deus, nosso amado Messias.
  4. Tudo o que é oculto, secreto, proibido parece chamar mais nossa atenção. E, de fato, uma aura de mistério envolve os Arquivos Secretos do Vaticano. O local é um imenso repositório de informações. Em seus 85 quilômetros de prateleiras estão livros, documentos, papéis e imagens, contando cerca de dois milhões de registros, que a Igreja [ ].
  5. Vaticano, 29 Nov. 18 / pm ().-Os ramos masculino e feminino de consagrados do Regnum Christi receberam, em 27 de novembro, a aprovação do Vaticano como sociedades de vida apostólica, em um primeiro passo para a criação de uma federação junto aos Legionários de Cristo.. Dom José Rodríguez Carballo, Secretário da Congregação para os Institutos de Vida .
  6. Sep 24,  · Funeral de João Paulo II _ Execução de Giordano Bruno _ Contato Extraterrestre de Fátima _ Necrópole do Vaticano & os crânios alongados Papel de .
  7. Em média, uma pessoa vivia muitos meses sem ver ou ouvir um indivíduo de fora de seu bando e, ao longo de sua vida, encontrava não mais do que algumas centenas de humanos. A população sapiens vivia espalhada por vastos territórios. Antes da Revolução Agrícola, a população humana do planeta inteiro era menor do que a de São Paulo hoje.
  8. Destino do perdão sendo pedido, Por tanto amor do qual também foi feito, Satã se arrependendo e perdoado Será pelo Senhor abençoado. posted by MARCOS LOURES at Segunda-feira, Fevereiro 08, Os vultos insepultos do passado Ainda tenebrosos, rondam sonhos E pesadelos toscos e medonhos, Futuro a cada dia degradado; Escondo-me.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *